Vivência Combu
Vivência fotográfica · Desde 2018 · Ilha do Combu, Belém (PA)
A Vivência Combu é uma experiência voltada à fotografia, ao encontro e à imersão no cotidiano da Ilha do Combu. Um convite para fotógrafos e amantes da fotografia desacelerarem, ampliarem o olhar e se aproximarem, de forma sensível e respeitosa, das pessoas, das histórias e do modo de viver ribeirinho.
Em fevereiro de 2017, conheci Edivaldo e sua família, moradores da Ilha do Combu, em Belém. Desde então, construímos uma amizade que, ao longo dos anos, se transformou também em parceria e em um profundo vínculo com a ilha, suas histórias e seu modo de viver.
Foi a partir dessa relação que nasceu, em 2018, a Vivência Combu: um convite para sair da rotina da cidade e experimentar, através da fotografia e da presença, uma outra forma de olhar e estar no mundo.
Depois de alguns anos sem realizar as vivências, estou retomando o projeto agora, com o desejo de compartilhar novamente essa experiência com pessoas que também acreditam que fotografar pode ser muito mais do que registrar um lugar. Pode ser criar vínculos, escutar histórias, observar com atenção e aprender com outras formas de viver.
A experiência começa ainda cedo, na Ilha dos Papagaios, onde contemplamos a revoada dos papagaios ao nascer do dia. Em seguida, um café especial com Dona Rosa, moradora local, nos aproxima dos sabores e das histórias de quem vive na ilha.
Depois, seguimos navegando pela calmaria das águas, passando pelos furos e igarapés e observando de perto a arquitetura ribeirinha, suas casas, caminhos e paisagens.
Ao longo do percurso, conhecemos diferentes moradores e iniciativas que ajudam a contar a história do Combu. Visitamos Dona Nza e seu trabalho com o camarão; conhecemos as mulheres da AME, que trabalham com a andiroba; e encontramos Prazeres, empreendedora e ribeirinha que mantém um dos primeiros restaurantes da ilha do Combu.
No espaço Aruna, vivenciamos o processo do açaí, em uma experiência conduzida por Jhon, conhecendo de perto um dos elementos mais presentes na cultura e na alimentação amazônica. Depois, compartilhamos um almoço especial, com peixe frito e açaí, em uma mesa que também é espaço para conversa, encontro e troca.
Mas a Vivência Combu não acontece apenas nas atividades que compõem o roteiro. Ela está também no tempo das conversas, na observação da paisagem, nos encontros inesperados, nos sabores, nos silêncios e na possibilidade de simplesmente estar.
Porque fotografar é, antes de tudo, aprender a olhar. E, para olhar verdadeiramente, é preciso tempo, presença e sensibilidade.
Por isso, a Vivência Combu não propõe apenas fotografar a ilha, mas se aproximar dela. Sair do lugar de observador e permitir que as relações, as histórias e o cotidiano conduzam o olhar.
Mais do que um passeio, é uma experiência de viver e conviver. De conhecer pessoas, ouvir histórias e entrar em contato com uma forma de vida que nos ensina sobre simplicidade, generosidade, pertencimento e sobre o verdadeiro valor das coisas.
Depois de tantos anos de vínculo com a ilha, retomo a Vivência Combu com o mesmo desejo que deu origem ao projeto: compartilhar aquilo que não cabe em uma fotografia, mas que pode transformar a maneira como enxergamos o mundo.
Mais do que fotografar o Combu, o convite é viver um pouco dele.
